Começo
- os índios Goitacazes
No século XVI, os primeiros habitantes da
região formada hoje por Macaé, Campos e Quissamã foram os índios Goitacazes,
grupo indígena, hoje extinto, que eram donos de imensas terras no litoral
(região costeira entre o rio São Mateus, no Espírito Santo e a foz do rio
Paraíba, no Rio de Janeiro) e viviam da caça e da pesca, abundantes na
região. ”Goitacaz“ quer dizer corredor, nadador ou
caranguejo grande comedor de gentes. Fisicamente possuíam pele mais
clara, eram mais altos e robustos que os demais índios do litoral. Considerados
muito perigosos entre outras características, por sua extraordinária
força. Seu sistema de organização era o comunismo primitivo* onde tudo
que possuíam era comum a todos. As lideranças eram emergenciais e conduziam as
tribos em casos de doenças, guerras e migrações. Seu estágio evolutivo era
superior a outras tribos do litoral, pois ele não apenas coletavam, mas
produziam seu alimento, através da agricultura.
Os indígenas tinham bom relacionamento com os
corsários** franceses que aqui aportavam em busca do pau-brasil e que
utilizavam o seu trabalho de extração de madeira, em troca de quinquilharias e
bugingangas, fato esse que, dentre outros, explica sua resistência à
escravidão.
Já com os portugueses que vinham só com a intenção
de escravizá-los e se estabelecer em suas terras, travavam feroz combate,
chegando a inviabilizar sua permanência na Capitania de São Tomé. Aos
portugueses, qualquer ato que impedisse a colonização era tido como criminoso,
razão pela qual tão facilmente se disseminaram as histórias de canibalismo.
Rituais de GuerraA verdade sobre o apetite de carne humana: havia entre os índios da região, Goitacás ou não, a tradição de comer a carne e beber o sangue do inimigo derrotado, tanto para reincorporar à tribo o espírito de antepassados mortos pelo inimigo, quanto para dar coragem aos novos guerreiros. O capturado era engordado e tinha à disposição uma índia que lhe prestava os mais diversos serviços até o dia da execução. Nesse dia, toda a tribo bebia e dançava, inclusive o prisioneiro, que depois tinha o corpo atado. Era levado às tribos vizinhas, onde podia contar como já havia amarrado seus inimigos e como sua tribo viria vingar sua iminente morte. De volta à tribo Goitacá, ao prisioneiro era dado um monte de pedras, e os guardas diziam: “que antes de sua morte lhe seja concedido o direito de se vingar!” O prisioneiro podia atirar as pedras nos dominadores, e várias pessoas saíam feridas neste ritual. Descarregada a raiva, o executor, que até então se mantinha oculto, se aproximava armado da ‘tangapemma’, um tacape todo enfeitado com penas. O carrasco indagava ao prisioneiro se era verdade que ele tinha matado e comido alguns companheiros, e era a glória do quase morto lançar um último desafio: “Dá-me a liberdade e eu te comerei a ti e aos teus!” Assumido o ‘crime’, o golpe com a pesada clava era desferido neste momento, e a índia que cuidara do prisioneiro se aproximava para chorar um pouco. Ela mesma, entretanto, se serviria daquela carne mais tarde. Outras mulheres lavavam e cortavam o corpo, esfregando o sangue nas crianças para nelas criar bravura. Os portugueses também se assustavam com a grande quantidade de ossadas que viam pela tribo e que os Goitacás tinham orgulho de mostrar. Mas tudo não passava de ritual de guerra, repetido por gerações e gerações até o extermínio dos indígenas.
Caçadores HospitaleirosOs Goitacás sempre foram hospitaleiros com náufragos e fugitivos, além de convidarem tribos amigas para suas festas. Veneravam um ser supremo, Tupã, ao qual se dirigiam com voz de lamento nas ocasiões de trovoadas. Os colonizadores de tudo fizeram para exterminar os antigos habitantes da planície, dando a eles até roupas de doentes para que morressem em grande quantidade, muitas vezes a tribo inteira. Para a história dominante, os colonizadores foram heróis que desbravaram uma terra selvagem, enquanto os índios eram apenas animais que se alimentavam de carne humana. Como vimos, a realidade não foi bem essa, e, se alguém teve os direitos desrespeitados, foram os índios, expulsos do lugar que sempre habitaram.
Rituais de GuerraA verdade sobre o apetite de carne humana: havia entre os índios da região, Goitacás ou não, a tradição de comer a carne e beber o sangue do inimigo derrotado, tanto para reincorporar à tribo o espírito de antepassados mortos pelo inimigo, quanto para dar coragem aos novos guerreiros. O capturado era engordado e tinha à disposição uma índia que lhe prestava os mais diversos serviços até o dia da execução. Nesse dia, toda a tribo bebia e dançava, inclusive o prisioneiro, que depois tinha o corpo atado. Era levado às tribos vizinhas, onde podia contar como já havia amarrado seus inimigos e como sua tribo viria vingar sua iminente morte. De volta à tribo Goitacá, ao prisioneiro era dado um monte de pedras, e os guardas diziam: “que antes de sua morte lhe seja concedido o direito de se vingar!” O prisioneiro podia atirar as pedras nos dominadores, e várias pessoas saíam feridas neste ritual. Descarregada a raiva, o executor, que até então se mantinha oculto, se aproximava armado da ‘tangapemma’, um tacape todo enfeitado com penas. O carrasco indagava ao prisioneiro se era verdade que ele tinha matado e comido alguns companheiros, e era a glória do quase morto lançar um último desafio: “Dá-me a liberdade e eu te comerei a ti e aos teus!” Assumido o ‘crime’, o golpe com a pesada clava era desferido neste momento, e a índia que cuidara do prisioneiro se aproximava para chorar um pouco. Ela mesma, entretanto, se serviria daquela carne mais tarde. Outras mulheres lavavam e cortavam o corpo, esfregando o sangue nas crianças para nelas criar bravura. Os portugueses também se assustavam com a grande quantidade de ossadas que viam pela tribo e que os Goitacás tinham orgulho de mostrar. Mas tudo não passava de ritual de guerra, repetido por gerações e gerações até o extermínio dos indígenas.
Caçadores HospitaleirosOs Goitacás sempre foram hospitaleiros com náufragos e fugitivos, além de convidarem tribos amigas para suas festas. Veneravam um ser supremo, Tupã, ao qual se dirigiam com voz de lamento nas ocasiões de trovoadas. Os colonizadores de tudo fizeram para exterminar os antigos habitantes da planície, dando a eles até roupas de doentes para que morressem em grande quantidade, muitas vezes a tribo inteira. Para a história dominante, os colonizadores foram heróis que desbravaram uma terra selvagem, enquanto os índios eram apenas animais que se alimentavam de carne humana. Como vimos, a realidade não foi bem essa, e, se alguém teve os direitos desrespeitados, foram os índios, expulsos do lugar que sempre habitaram.
* Regime social, econômico e politico onde se vive em grupos, equilibrando a produção e o consumo.
** Corsários e Piratas: entre corsários e piratas havia diferença. Enquanto estes existem desde os primórdios do comércio marítimo, os corsários só aparecem em meados do século XVII. Seus ataques eram legitimados por um soberano e, uma vez prisioneiros, eram tratados como militares, não sendo enforcados como os piratas. Corsários obtinham o que se chamava de “carta de marca” do seu rei. Assim, em tempos de guerra, o rei poderia colocar navios da marinha à disposição de armadores particulares. Em alguns casos, as armadas eram “mistas”, como foi o caso dos invasores do Rio em 1711: a um grupo que punha o capital, o rei cedia navios e tripulação em troca de um quinto dos lucros da pilhagem (saiba mais no site: http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/o_rio_sequestrado_imprimir.html
Retirado : http://macaeh.blogspot.com.br/2011/10/o-comeco.html

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